sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Reencarnação, parte 3

      Nos dias que se passaram, após o último encontro, Danilo observa as pessoas, suas raças, condições e atitudes com mais atenção. Era como se um novo mundo lhe tivesse sido mostrado. Sem dúvida aquilo era o que faltava no vazio da vida. Seria mesmo ilógico nascermos e virmos até aqui para somente nascer, crescer, reproduzir e morrer. Nós, seres humanos, éramos mesmo capazes de mais e estaremos fazendo realmente mais.

      Danilo sente-se de certa forma isolado por ter conhecimento daquelas informações, que definiam um comportamento diferente das demais pessoas. Parecia que ele não fazia parte daquele mundo de ilusão. Todo o equilíbrio do planeta, seus sistemas, suas espécies, sua ordem era tudo por uma razão. Afinal seria impossível tudo isto existir simplesmente ao acaso.

      Em certo tempo Danilo, que gostava muito de filmes, assiste a uma trilogia que demonstrava que tudo neste mundo era propositalmente criado. Tudo era resultado de algo esperado e programado. E todos viviam suas vidas alheias à verdadeira realidade, afinal o mundo era uma ilusão perfeitamente criada. Aqueles que acordavam vislumbravam uma nova e totalmente diferente realidade.

      O filme se encaixava em muitos fatores com nossa vida atual. Aqui, tudo é tão real que é possível mesmo duvidar que algo mais existe. Somente aqueles que trazem a busca em si são capazes que começar a procurar, questionar e assim entender.

      Poucas eram as dúvidas que Danilo retinha sobre o assunto. Como seu mestre o informou, bastava uma palavra, um ato, uma visão ou mesmo uma sensação para completar uma gama de entendimentos.

      No próximo encontro o entendimento estaria praticamente completo dentro do que se poderia de fato compreender. E, certo dia lá estava Danilo, junto a seu mestre para sanar suas remanescentes dúvidas.

      O mestre o cumprimenta e, como se pudesse ler o que Danilo ir falar ou mesmo pensou, advinha todas suas dúvidas, mas mesmo assim ele pede que Danilo pergunte. E assim Danilo o faz: "Mestre, acho que muito pude entender, mas tenho algumas dúvidas para afirmar meu entendimento sobre alguns aspectos."

      "Primeiramente, entendi que tudo aqui existe devido a um propósito e uma causa, acho que pude entender o propósito, mas a causa e o equilíbrio ficaram um pouco nebulosos para mim." E o mestre sorrindo, sempre com ótimo astral e sua agradável personalidade começa: "Que bom que entendeu o propósito, mas não pense somente no seu, no meu, ou nos demais seres humanos como este propósito."

      "Existem muitos propósitos aqui neste planeta atuando nos mais diferentes planos. Cada um em seu ambiente e alguns se cruzando entre si por algum, ou não, motivo específico. Mas todos com seu propósito. Vocês dividem um mesmo espaço, isso pode ser intencional, necessário ou simplesmente aleatório."

      Danilo exibe uma expressão de confusão e o mestre sorrindo se aproxima e tenta explicar mais claramente: "Para entender meu caro irmão lembre-se de não manter sua atual posição como mais um fluxo vivo, se destaque, se evidencie, senão será como um peixe tentando entender a terra que ele jamais poderá ver, pois está além de seus limites."

      Ao terminar esta frase uma estranha luz começa a surgir ao redor deles, Danilo se assusta um pouco, mas espera para ver a reação do mestre. Mal ele podia imaginar que era o próprio ALDBN que estava incitando aquele fenômeno. E ele fala a Danilo: "Vou lhe ajudar a trocar sua referência, pois você já entendeu." Nisto toda a caverna fora tomada por uma luz branca, como se milhares de centenas de lâmpadas fossem ligadas gradativamente em todos os espaços.

      Quando toda a caverna foi tomada pela luz, também e gradativamente, a luz deu lugar a uma savana, era como se algo fosse desenhado na luz e a savana surgisse ali envolta deles. Quando a transformação se completa Danilo e seu mestre parecem estar a poucos metros do solo observando uma família de leopardos.

      A visão era linda, era uma família completa, parecia haver mais de uma fêmea, um macho, e alguns filhotes. Estes brincavam carinhosa e engraçadamente com o rabo da mãe. A tia dos filhotes dormia junto com um deles apoiado-o em sua pata, era uma visão harmoniosa e Danilo sorri junto com seu mestre.

      Estranhamente, para Danilo, o tempo parece se acelerar, mas sem distorcer. Ele tenta entender quando olha para seu mestre que aponta como se mandasse Danilo continuar a observar. Quando um leão irritado se aproxima da família e mata um dos filhotes, a família foge carregando os outros filhotes. Com a imagem acelerada Danilo vê a mãe enterrar o filhote morto, chorar e zelar pelo corpo dele por alguns dias, a seguir ele também vê a mesma família de leopardos perseguirem e matarem um filhote de zebra para comer, a mãe da zebra também ficara muito triste. Alguns momentos se passam e ele vê os filhotes crescerem e tomarem as mesmas funções da mãe, têm filhos e morrem velhos mais tarde.

      Danilo compreende a graça da vida, tomada, por exemplo, naqueles animais. Eles possuem e aprendem o zelo, a dor, a necessidade de viver, de matar, de comer. Ele pôde ver como a vida corre em diferentes perspectivas, ele conseguiu entender o equilíbrio de formas e seres co-existindo, um em prol do outro. O mesmo ser que mata outrora possui grande delicadeza, ama, cuida, se preocupa e também sofre.

      Danilo ainda maravilhado com visão mostrada por ALDBN nota a imagem se distanciar, como se eles estivessem subindo e subindo, e observa o planeta Terra, como estivessem na lua. E, segundos depois, mergulham em queda de volta.

      Eles parecem agora observar uma criança e, da mesma forma, como na savana, o tempo se acelera e mostra esta crescendo e amadurecendo. Danilo nota a infância: um período doce, delicado e puro. A adolescência: algumas confusões, o prazer de provar algumas emoções, modas, costumes e o desenvolvimento de uma personalidade. A juventude: a concretização da personalidade, o desenvolvimento de crenças, costumes e hábitos. A maturidade: a ciência do que é certo ou errado, o senso de responsabilidade, a certeza de uma causa e a obediência a índole criada e única.

      Danilo observa alegremente como cada uma das pessoas ao redor daquela sofrem alterações em todos os tipos devido à presença da outra, de palavras e atitudes desta única. Ele vê como pequenas palavras podem destruir grandes coisas e como pequenos atos podem mudar outras gigantescas coisas.

      Ele fica muito emocionado ao ver como é aprendido com a convivência e como erros são corrigidos. Somente com a magia disto aprendemos a amar quem uma vez odiamos, perdoar quem jamais perdoaríamos e reparar o impossível, através de uma única e simples ligação.

      Com enorme felicidade Danilo olha para ALDBN e neste momento ele o toca fazendo com que Danilo acordasse em sua cama. Danilo passa o dia inteiro desfrutando e uma enorme disposição e profunda paz.

Um comentário:

Carlos disse...

Muito interessante. Tudo está exposto, mas nem sempre conseguimos interpretar do modo correto. Essa analogia com a vida dos animais é simplesmente perfeita. Abraço.